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| 02 Palácio Rio Negro | |
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Andreas Valentim
Abrem-se os pesados portões de ferro, trazidos provavelmente da Inglaterra ou de sua Alemanha natal: o modelo estilo Art Nouveau mostra que Scholz era um homem que conhecia e escolhia o que de melhor existia na época. Caminhamos alguns passos pelo jardim, salpicado com estatuetas de bronze e luminárias de ferro fundido. A fachada do prédio, imponente e, sem dúvida, original, assenta-se, sólida, em nossa frente. Vemos aqui uma mistura interessante dos mais variados estilos, trazidos da Europa de começo-de-século. A fachada, originalmente pintada de cinza claro e com seus inúmeros recuos e avanços suas curvas e ângulos retos, se movimenta com um virtuosismo que, a primeira vista, transparece como extravagante. A impressão que temos é de estar diante de uma obra confeitada, um castelo de sonhos, de contos de fada. Este tipo de arquitetura foi muito comum na época nos novos centros de acelerado desenvolvimento econômico, tais como Manaus no período da borracha. A sociedade nouveau-riche que se firmava, junto com sua nova fonte de riqueza criava também uma nova estética cuja expressão primeira seria sempre a arquitetura: as residências particulares, como também as instituições governamentais, comerciais e culturais caracterizavam-se pelo ecletismo, pela mistura às vezes um tanto o quanto desgovernada das mais diversas influências. Kitsch? Sem dúvida! Um "Kitsch" hoje, porém, merecedor de respeito e estudado. Mas, nosso passeio não termina logo na fachada. Subindo as escadarias externas e entrando pelo saguão, nos deparamos mais uma vez com um imponente - e nem um pouco discreto! - visual. Os assoalhos de acapú e pau amarelo envernizados, contrastam com as paredes pintadas e com os diversos móveis e objetos (muitos deles de origem oriental) estrategicamente colocados no ambiente. A sólida escadaria nos leva até o segundo andar; aqui cada aposento é pintado de uma cor diferente, oscilando do pastel até o berrante: azul claro, azul carregado, lilás, rosa, amarelo, marrom e até mesmo o branco são elegantemente decorados com azulejos e ladrilhos, frizos e lustres da melhores escolas Art Nouveau da Europa. A parte posterior do prédio é, tanto no térreo, como no andar superior, avarandada com chão de ladrilhos e estrutura de ferro fundido. Aqui, Waldemar Scholz admirava a exuberante vista de seu jardim e o Igarapé de Manaus. Suas "gardenparties" seriam, certamente, as mais "badaladas" de Manaus! Seu sonho, entretanto, durou pouco. A borracha, levada para plantações cultivadas no Sudeste Asiático pelos ingleses, começava a abalar a economia deste produto aqui na Amazônia. Scholz viu-se forçado a hipotecar sua mansão para saldar dívidas comerciais. Finalmente, em 1914, a Guerra corta por completo o comércio e termina, assim, com o sonho do alemão. O imóvel é vendido ao Estado; o então governador, Pedro d’Alcantara Bacellar transforma o Palacete Scholz em Palácio Rio Negro e instala ali seu governo. O palácio está incluído como patrimônio histórico estadual e foi restaurado e adequado em 1997 para a função de Centro Cultural definitivamente implantado em agosto do mesmo ano. FONTES: |
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