| TEATRO AMAZONAS |
Idealizado para ser uma jóia da belle époque encravada no coração da selva amazônica e colocar Manaus no patamar dos grandes centros da civilização ocidental, o Teatro Amazonas desponta, hoje, depois de quatro restaurações, como um dos mais belos monumentos artísticos da humanidade. Ele reflete o fastígio do ciclo áureo da borracha na Amazônia e a determinação do espírito do povo amazonense. Seu estilo eclético reúne quatro fachadas distintas (greco-romana), tendo como destaque uma cúpula a la turca de 36 mil escamas em cerâmica esmaltada, com as cores da bandeira brasileira; possui estátuas de ferro francesas, pinturas italianas neoclássicas, mármores de Carrara, cristais de Murano e da Boêmia, dourados barroco, estuques rococós, cadeiras de couro russo, jarros japoneses, pinho de Riga e madeiras regionais, cosmopolitismo reinante em Manaus, quando capital mundial da borracha.
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Imaginem Manaus no século passado. Posto avançado da civilização ocidental encravado
no meio da selva, próspera, que pertencia a um país que se tornara independente há
pouco mais de cinqüenta anos e já possuía um acervo artístico e cultural de inegável
valor. |
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Na cidade, onde circulavam jornais impressos em inglês, francês, alemão e até em árabe, havia à disposição linhas regulares de navegação com destino aos principais portos do exterior, perfil cosmopolita que prevaleceu no momento em que se cogitou dotar Manaus de um teatro à altura das sofisticadas aspirações culturais do público da época. Este público seleto e traquejado nos grandes centros produtores de cultura no país e no exterior, exigia um local adequado, com acomodações e recursos técnicos para abrigar artistas e companhias que regularmente transpunham o Atlântico para levar à longínqua Manaus os maiores sucessos dos palcos europeus. |
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Habituado a uma vida cultural requintada, com gosto pela literatura dramática e música
lírica, o manauara não podia se conformar em apreciar encenações teatrais
peças, óperas, operetas e até vaudeville senão no espaço apropriado e
grandioso que viria a se concretizar com a inauguração do Teatro Amazonas em 1896.A
construção do Teatro Amazonas foi proposta em 1881 pelo deputado provincial Antônio
José Fernandes Júnior, com orçamento de 60 contos de réis, considerado irrisório à
obra idealizada pelos amazonenses. |
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Entre o projeto do arquiteto italiano Celeste Sacardim (orçado em 250 contos) e o de autoria do Gabinete de Engenharia de Lisboa (no valor de 500 contos), prevaleceu o último, que possuía no currículo o projeto de construção do Teatro Nacional de Dona Maria II, na capital portuguesa. O Teatro Amazonas não poderia deixar de ter, além do fausto e do fulgor de sua decoração, uma coerência condizente à modernidade do teatro lírico da época.Deveria comportar a complexidade cenográfica de enormes e mutáveis cenários, grande número de figurantes, orquestra e iluminação reostato. Tal como na casa de Lisboa, ele foi concebido para se tornar referência obrigatória na história da arquitetura ou da arte dramática. |
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A construção O fato de utilizar mão-de-obra,
artefatos e peças de decoração e ornamentação provenientes do exterior fez com que a
sofreguidão de dar a Manaus um palco requintado tivesse que se dobrar aos imperativos da
distância. A lentidão da obra se impôs forçosamente. Da Alsácia vieram telhas
vidradas; de Paris, grades de ferro para camarotes, frisas e balcões, a armação da
cúpula e os móveis estilo Luís XV; da Itália, mármores, escadas, pórticos,
estátuas, colunas, lustres e espelhos de cristal, vasos de porcelana e candelabros.O
vigamento de aço das paredes foi encomendado na Inglaterra, em Glasgow. As ferragens
escadas, gradis, bancos, estatuetas, colunas, mesas e cadeiras vieram da
famosa casa parisiense Koch Fréres. |
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Embora a obra mal tivesse recomeçado em 1893, contratava-se por antecipação material e mão-de-obra que só seriam empregados após a conclusão da alvenaria, uma espécie de reserva técnica que tinha o valor de evidenciar a disposição do governante de logo concluir o teatro. O ritmo acelerado se estende aos dois anos seguintes, particularmente em 1895, quando terminam as obras de alvenaria e de cobertura e a decoração externa está prestes a começar. A rapidez também impregna os trabalhos de decoração do interior, bem como o acabamento da obra e itens de iluminação elétrica e encanamento. |
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A inauguração A data de inauguração do teatro
que a impetuosidade de Eduardo Ribeiro marcara para 1894 seria protelada por duas vezes
para o final de 1896, ano em que já não estaria no governo. Seu sucessor e afilhado
político, Fileto Pires Ferreira, é quem iria inaugurar o teatro no dia 31 de dezembro de
1896. Foi mais um ato protocolar, porque a propalada inauguração só ocorreu a 7 de
janeiro de 1897, com a estréia da famosa Companhia Lírica Italiana, que encenou, em
avant première, La Gioconda, de Ponchielle. |